
Para a primeira pega na nossa praça, num ano tão especial em que comemoramos os 85 anos do nosso Grupo, o 𝗭𝗲́ 𝗠𝗮𝗿𝗶𝗮 𝗖𝗼𝗿𝘁𝗲𝘀 foi o escolhido para abrir praça.
Reconhecido pela sua técnica e valentia, o Zé Maria é um Forcado que dispensa apresentações.
O toiro, por sua vez, mostrou-se reservado durante toda a lide, com pouca entrega e com investidas altas, tanto no cavalo como no capote.
O Zé Maria, apesar de ter realizado três tentativas, entendeu sempre o toiro e controlou todos os momentos da pega onde executou três reuniões de excelente nota técnica.
Na primeira tentativa, não aguentou os derrotes do toiro e acabou por sofrer uma violenta colhida que deixou a praça em suspenso, tal foi um aparato da queda.
Mesmo assim, levantou-se com a mesma serenidade que o caracteriza, pegou no barrete e foi para o toiro com a mesma vontade de honrar a jaqueta.
Na segunda tentativa, voltou a não aguentar os derrotes desafiadores do toiro e saiu aos pés dos segundas ajudas, que em toiros como estes têm um papel fundamental e não conseguiram entender qual o momento decisivo de entrada para fechar esta pega.
Na terceira tentativa, os oito elementos fecharam a pega, numa demonstração de entreajuda e espírito de Grupo que tanto nos caracteriza.
O segundo toiro que nos calhou em sorte era da respeitada Ganadaria António Silva, revelou-se um exemplar imponente, com bravura e notável trapio. Dotado de muita força, este toiro distinguiu-se por ter cumprido com vigor todos os momentos da lide.
Foi chamado a atuar o Forcado mais experiente do nosso Grupo: 𝗙𝗿𝗮𝗻𝗰𝗶𝘀𝗰𝗼 𝗕𝗼𝗿𝗴𝗲𝘀.
Para os espectadores menos familiarizados com os detalhes da arte da pega de caras, acostumados a procurar um espetáculo onde as pernas do forcado parecem girar à semelhança de uma ventoinha e os ajudas apenas preenchem o espaço na arena, talvez esta pega não tenha sido a mais emocionante.
O Francisco comandou cada momento da pega com precisão. Cada passo tinha um propósito claro, demonstrando domínio sobre o toiro e provocou uma investida de largo, esticando o animal e executando uma reunião suave, à semelhança do gesto de um toureiro ao colocar a muleta diante de um toiro.
O desempenho do Grupo, sob a liderança de Manuel Campilho, foi notável durante esta pega, onde a primeira ajuda foi exemplar e merecedora de volta à praça.
Embora a pega possa ter parecido simples, esteve carregada de arte e de uma complexidade técnica profunda, que reflete a forma de pegar do nosso Grupo.
Na arena, diante dos olhares atentos dos aficionados emergiu um exemplar da Ganadaria de Canas Vigouroux onde cada investida foi um testemunho da sua bravura, nobreza e encaste, personificando a essência que se procura no toiro bravo e que leva os amantes dos toiros às Praças.
Para fechar a atuação do Grupo pegou no barrete o Forcado 𝗩𝗮𝘀𝗰𝗼 𝗣𝗼𝗻𝗰𝗲.
Na primeira tentativa, caminhou artisticamente, deixando o toiro descansar da lide. Provocou a investida, mas no momento crítico da pega vacilou, não conseguiu reunir e acabou por fazer a viagem pendurado, saindo no primeiro derrote do toiro.
Na segunda tentativa, o Vasco corrigiu o momento da reunião, embora tenha sido excessivamente duro ao marcar o momento de se acoplar ao toiro. A viagem foi realizada por baixo, com o Grupo a desempenhar eficazmente o seu papel, mas no geral, foi uma pega que careceu do brilho artístico que o toiro merecia.
📝 𝙀𝙨𝙘𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙥𝙤𝙧 António Cortes Pena Monteiro
𝘍𝘰𝘳𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2013 | 𝘊𝘢𝘣𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2021












