Corrida de Toiros em Évora | 19 de Maio de 2024

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Corrida de Toiros em Évora | 19 de Maio de 2024

Maio 19, 2024

O Grupo de Montemor voltou a marcar presença numa das mais importantes corridas (pela seriedade e valor histórico no Grupo) do calendário taurino em Portugal: o Concurso de Ganadarias em Évora.

O primeiro toiro foi um 𝙈𝙞𝙪𝙧𝙖 com 624kg, o maior da corrida, que se mostrou sério, não tendo nunca humilhado ao cavalo, mas que, apesar disso, colaborou com Miguel Moura.

À arena, saltou 𝗙𝗿𝗮𝗻𝗰𝗶𝘀𝗰𝗼 𝗕𝗼𝗿𝗴𝗲𝘀 que, na sua despedida da praça da sua terra, brindou a outra referência do Grupo de Montemor: João Pedro Tavares (Peco).

Andou para o toiro cá bem detrás, com a classe que o define. O Miura, assim que o viu, arrancou a choto, com o forcado a carregar para o alegrar. No momento da reunião, acaba por meter a cara alta e, por isso, castigou em demasia o Francisco, tendo-lhe passado por cima, pisando-o violentamente, o que o deixou em visíveis dificuldades.
As dores e momentos difíceis são situações que fazem parte da vida de forcado, mas a jaqueta que temos o privilégio de vestir, traz-nos uma responsabilidade que suprime, em grande escala, esses contratempos. O Francisco é um grande exemplo disso mesmo!

Fisicamente desgastado, depois daquela primeira tentativa, andou para o toiro com a mesma calma.

Mostrou-se ao Miura, que voltou a sair pronto. Depois de uma boa reunião, contou com uma importante intervenção do António Pena Monteiro e com o grupo a fechar eficazmente a primeira pega da tarde, com nota de destaque para a ajuda do Pedro Santos.

No remate da pega, destaco o rabejador Francisco Godinho, que teve de se aplicar face à força do Miura, antes de lhe sair na cara.

Ao Francisco Borges, que, emocionado, se despediu da Arena D’Évora, quero deixar-lhe uma palavra: Francisco, sei bem aquilo que significava para ti pegar em Évora e sei, não tanto quanto tu, as saudades que vais sentir de pegar nesta praça.

Estou certo de que o Francisco vai ter saudades de pegar na Arena D’Évora, mas que a Arena D’Évora também vai ter muitas saudades do Francisco.

O segundo toiro que nos coube pegar foi um Partido de Resina, com 580kg. Um toiro nobre, mas que não abdicou da sua seriedade, e que se empregou a António Telles filho.

À arena, para pegar este toiro, saltou 𝗩𝗮𝘀𝗰𝗼 𝗣𝗼𝗻𝗰𝗲, que, até à reunião, mandou num oponente que deu todos os sinais de que queria arrancar para o forcado, mas que só arrancou quando o Vasco quis. À medida que o Partido de Resina se ia aproximando, o Vasco não aguentou tanto quanto desejava, começando a recuar cedo demais, fazendo com que o Partido de Resina acabasse por perder o rasto do forcado, no momento da reunião.

Na segunda tentativa, o Ponce optou por carregar de largo, porém, frente a um oponente que acabaria por rachar da primeira para a segunda tentativa, viu o Partido de Resina não arrancar, depois de o carregar mais algumas vezes.
Naquele momento, o Vasco estava nos terrenos do toiro, o que significava (ainda mais) risco e seriedade.

A partir dali, o Ponce sabia exatamente o que fazer e fê-lo na perfeição: o toiro arrancou, o forcado recuou para fora desses terrenos, o mais rapidamente possível, e conseguiu uma excelente reunião. A isto, seguiu-se uma viagem vistosa, com o grupo de ajudas, novamente, a ser eficaz e a fechar a nossa segunda pega da tarde.

Importa realçar a intervenção (mais uma) proeminente do Pedro Santos que, desta feita, liderou o grupo de ajudas e deu uma bela primeira ajuda.

O nosso terceiro toiro foi um Palha, com 605kg. A meu ver, o toiro mais bravo da corrida. Durante a lide, não precisava que lhe carregassem a sorte para arrancar e, nem na altura de recolher aos curros, com os campinos em praça, deu descanso à sua bravura.

Para a cara deste toiro foi o 𝗝𝗼𝘀𝗲́ 𝗠𝗮𝗿𝗶𝗮 𝗖𝗼𝗿𝘁𝗲𝘀.

Ao nosso ‘Zé Mole’ e a todo o Grupo, tenho, antes de mais, agradecer, o brinde que me foi endereçado, que me surpreendeu e que, deixo escrito, me comoveu.

Há uma premissa que temos no Grupo: ninguém fica para trás. Esse momento foi uma amostra do compromisso que assumimos com essa premissa, na amizade que temos uns pelos outros e no respeito pelos valores do Grupo.
Para mim, aquele gesto foi muito mais e irá ser eternamente, na minha memória, muito mais do que uma amostra. Não tenho forma, por palavras de, mais uma vez, vos agradecer pela forma com que me tocaram, não só naquele momento, como nestes últimos 7 anos.

Relativamente à pega, o Zé Maria, respeitando os pergaminhos do Grupo, começou cá detrás, com a calma que o caracteriza e com um cite bonito que, a partir dos médios, deixou o toiro totalmente focado em si. Depois de perceber que o toiro ‘estava com ele’, carregou mais do que uma vez, o que o fez avançar demasiados metros.
Em poucos segundos, o Zé Maria colocava-se nos terrenos do Palha e, por uma última vez, logo após as outras, voltou a carregar o toiro.

Devido à proximidade ao seu oponente, antes sequer de bater o pé, fez com que o Palha arrancasse, ficando em contrapé e fazendo com que ficasse em manifesto desequilíbrio, mesmo antes da reunião.
O que acontece depois é, no mínimo, reflexo de muito trabalho: enquanto recuava em desequilíbrio, quase a cair, recompôs-se e conseguiu uma boa reunião.

O Palha, a grande velocidade, ainda veio perguntar onde estavam os ajudas. Estes, de forma afirmativa, responderam rapidamente e com grande eficácia, fechando uma pega e uma tarde que dignificou o Grupo de Montemor e o Forcado Amador.

📝 𝙀𝙨𝙘𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙥𝙤𝙧 Manuel Carvalho
𝘍𝘰𝘳𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2018

Francisco Borges | 2ª Tentativa 

 

Vasco Ponce | 2ª Tentativa 

José Maria Cortes | 1ª Tentativa 

Detalhes

  • Data: Maio 19, 2024