
Passados mais de 83 anos da nossa fundação, o Grupo de Forcados Amadores de Montemor-o-Novo foi anunciado pela primeira vez numa Corrida de Toiros à Portuguesa, nos Estados Unidos da América. A primeira de três Corridas, na Praça de Stevinson – a mais importante Praça de Toiros dos EUA – contou com uma lotação mais do que esgotada!
Muitos quilómetros separam os dois países, a diferença cultural é notória, mas há algo comum que nos une, o Toiro Bravo e as Corridas de Toiros. Foi uma agradável surpresa ver a paixão, dedicação e o entusiasmo com que os Aficionados, Ganaderos, Cavaleiros e Forcados vivem a “Festa dos Toiros” do outro lado do mundo e mantêm viva uma arte tão portuguesa.
Ao longo da digressão, tínhamos um objetivo bem definido: mostrar a essência do nosso Grupo, honrando e dignificando a figura do Forcado Amador. Com verdade e distâncias, exatamente como fazemos no nosso País.
Para o fazer, com a responsabilidade de pegar o primeiro da História do nosso Grupo na “América”, saltou o Forcado 𝗙𝗿𝗮𝗻𝗰𝗶𝘀𝗰𝗼 𝗕𝗼𝗿𝗴𝗲𝘀.
Sobre o toiro – o Rei da festa – é difícil descrever o seu comportamento, pois o uso do velcro torna quase impossível prever, durante a lide, comportamentos ou retirar a verdadeira essência do Toiro. No entanto, este primeiro, grande para o habitual nos EUA, durante a lide mostrou alguma disponibilidade, apesar de manso, sem nunca romper para cavalo e capotes.
O Francisco, como é habitual, mandou na pega do início ao fim!
Deu todas as vantagens, citou com arte e mandou vir o Toiro de largo, aguentando a investida, recuando na cara e reunindo na “cadeira”, fechando-se com muita determinação.
O Toiro vinha com velocidade e a viagem foi longa, muito devido à falha na minha entrada como primeiro ajuda, no entanto, o restante Grupo compensou de forma eficaz, fechando assim a nossa primeira pega.
Para o segundo toiro da noite foi chamado à Praça o forcado 𝗝𝗼𝘀𝗲́ 𝗠𝗮𝗿𝗶𝗮 𝗠𝗮𝗿𝗾𝘂𝗲𝘀.
O “Zé Pequeno”, apesar de já ter alguns toiros pegados, demostrou inexperiência e nervosismo – talvez por momentos antes de saltar para a pega, o toiro ter colhido o cavalo, gerando um alarido grande na praça. Contudo, temos de ter sangue frio nestes momentos e conseguir abstrair-nos dos fatores externos, focando-nos no nosso propósito: pegar o toiro!
Meteu o barrete, praça a praça, dando vantagem ao opoente, mas este assim que sentiu a sua presença arrancou de largo e com pata. O forcado não aguentou nem consentiu a investida, tendo recuado cedo de mais e adiantando-se na reunião, o que impossibilitou fechar-se na cara do toiro.
Para a segunda tentativa corrigiu alguns detalhes técnicos, mas continuou sem reunir da melhor forma. Prevaleceu a vontade de ficar na cara do toiro, no entanto, este quando sentiu a entrada dos ajudas, acobardou-se e defendeu-se, sacudindo com a cara por baixo, tirando o forcado.
A terceira tentativa foi concretizada com os ajudas subidos e sem o brilho que pretendemos que as nossas pegam tenham.
Para fechar nossa primeira atuação na Califórnia, saltou para a arena o forcado 𝗩𝗮𝘀𝗰𝗼 𝗖𝗮𝗿𝗼𝗹𝗶𝗻𝗼.
Apanhou pela frente um toiro mais tardo que os anteriores, o que o permitia desfrutar mais do cite, olhos nos olhos com o Toiro.
A meia praça tentou provocar a investida, mas sem sucesso, obrigando o Vasco a entrar nos terrenos do Toiro.
Ao sentir a presença do forcado, este saiu andarilho, mas o Vasco alegrou a sua investida, obrigando-o a romper.
Reuniu de forma correta e fez uma viagem confortável até à entrada dos ajudas que, liderados pelo António Cecílio, fecharam a primeira de três atuações do Grupo.
O balanço da primeira atuação do Grupo em solo americano foi positivo, contudo, sabemos que há pontos fulcrais que tem de ser melhorados para atingir a excelência que ser Forcado do Grupo de Montemor exige.
Ficou assim escrita mais uma página na bonita História do Grupo de Forcados Amadores de Montemor.
📝𝙀𝙨𝙘𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙥𝙤𝙧 António Cortes Pena Monteiro
𝘍𝘰𝘳𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2013 | 𝘊𝘢𝘣𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2021














