
Numa tarde que se previa de sol, Toiros e praça cheia, em poucos minutos se transformou numa corrida fria e à chuva.
Para quem é forcado, o sangue começa a ferver quando ecoa na Praça um 𝘱𝘢𝘴𝘰𝘥𝘰𝘣𝘭𝘦, quando o Cavaleiro põe um ferro ao estribo e a energia e emoção que o público transmite chega à trincheira! Mas desta vez as coisas foram diferentes e atípicas… pairava o silêncio e inquietação entre os artistas e um grande burburinho nas bancadas, enquanto o público se abrigava da chuva e a banda se retirava da bancada.
Mas faça chuva ou faça sol, o Grupo de Montemor quando entra em Praça, é para fazer o que sabe de melhor – Pegar Toiros! Sem desculpas ou influências de fatores externos, mas sim olhos nos olhos com os Toiros. E desta vez não ia ser diferente!
Tínhamos pela frente um Toiro Vinhas com 635kg. Muito bem apresentado, grande, sério e com poder.
Debaixo de chuva e com os “motores” ainda frios, foi chamado à praça o Forcado mais experiente que veste a nossa jaqueta – 𝗙𝗿𝗮𝗻𝗰𝗶𝘀𝗰𝗼 𝗕𝗼𝗿𝗴𝗲𝘀.
Brindou ao atual Cabo do Grupo de Santarém – João Grave, ao futuro Cabo – Francisco Graciosa (Kiko) e ao próprio Grupo, que no próximo dia 10 de junho, terá a sua Corrida de troca de Cabo.
Ao Kiko, um grande amigo, desejo a maior sorte e que possamos partilhar muitas vezes Praça, honrando as nossas jaquetas.
O Francisco citou de largo, praça a praça, dando todas as vantagens ao Toiro. Mandou em todos os momentos da pega, como é exigido dentro do nosso Grupo, e fez o toiro investir quando quis. Aguentou a investida e executou uma reunião com excelente nota técnica, tornando as coisas “fáceis” para quem vê, mas difíceis para quem executa…
A pega foi muito bem fechada por todo o Grupo, num Toiro que vinha com pata. De salientar a excelente do Segundo Ajuda – Pedro Santos – que entrou na hora certa para fechar a pega.
Ainda sobre uma leve chuva e já com algum público de volta à bancada, sai à Praça o Toiro da Ganadaria Dr. António Silva, com 590kg.
Motivado por uma grande pega na Barra d’Ouro, chamei à Praça o Forcado 𝗩𝗮𝘀𝗰𝗼 𝗣𝗼𝗻𝗰𝗲.
Um Forcado que, apesar de jovem, percebe os tempos da pega e procura sempre ser ele a mandar no Toiro, do inicio ao fim.
Citou com a classe que lhe é característica, mandou vir o Silva de largo, recuou e fechou-se com determinação, mas um derrote violento de cima para baixo fez com que o Vasco saísse da cara do Toiro.
O embate no chão foi violento, acabando por ficar visivelmente desorientado e desprotegido à mercê do Toiro. Num ato de amizade e de proteção, os Forcados Pedro Santos e Manuel Carolino, colocaram o seu corpo à investida do toiro, protegendo o Vasco, de forma que não houvesse consequências maiores. São momentos como estes que nos fazem vestir a Jaqueta, porque nem só de grandes pegas é feito um Forcado, também de grandes atitudes. Parabéns aos dois!
Na segunda tentativa, o Vasco mandou novamente vir o Toiro de largo, mas não aguentou o suficiente, o que fez com que o oponente o castigasse com o píton, não lhe deixando qualquer hipótese de reunir. Nesta tentativa, o Forcado demonstrou alguma inexperiência e pouco sangue frio, principalmente no momento chave da pega – a reunião. Era preciso aguentar para depois recuar e fazer com que o Toiro se esticasse, evitando que se defendesse com o píton, como fez algumas vezes durante a lide.
Para a terceira tentativa, levantou-se com a mesma determinação de quando saltou à praça. Uma terceira tentativa não tem o brilho das anteriores, mas a pega foi fechada pelos 8 elementos em praça de forma eficaz.
Para fechar a nossa atuação, na terra em que nasceu, saltou à praça o Forcado José Maria Cortes Pena Monteiro, para olhos nos olhos, pegar um Toiro da Ganadaria Veiga Teixeira com 630kg.
O “Puto”, forma carinhosa como lhe chamo, tem vindo a ter muitas oportunidades de se afirmar como Forcado. Não por ser meu irmão ou por privilégios de eu ser cabo, mas sim por mérito!
Apesar de poucos toiros pegados, tem bem presente o conceito de uma pega à Grupo de Montemor e tenta por isso em prática. Se analisarmos ao detalhe, vamos encontrar alguns pontos para melhorar, mas no geral, e tendo em conta a seriedade dos Toiros e a responsabilidade das Praças, contrabalançando com a natural falta de experiência, o balanço é muito positivo! Por isso… os meus parabéns, “Puto”!
Praça a praça, citou o Teixeira e procurou captar a sua atenção, acabou por entrar em terrenos difíceis, com o Toiro a caminhar a trote sem que nunca rompesse verdadeiramente para o Forcado, também por sua culpa que não o alegrou da forma certa. Na reunião, adiantou-se ligeiramente, mas consentiu muito bem o toiro, aguentando ainda 3 derrotes, acabando depois por sair da cara do Toiro.
Levantou-se com ainda mais determinação e elevou-se ao toiro!
Teve de entrar em zonas difíceis e exigentes, carregou, aguentou, recuou na ponta dos pés e reuniu a tapar a cara ao Toiro.
Apesar de uma má ajuda da minha parte e ligeiramente pendurado na córnea, aguentou os derrotes da viagem até aos segundas ajudas, que fecharam a atuação do nosso Grupo.
📝𝙀𝙨𝙘𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙥𝙤𝙧 António Cortes Pena Monteiro
𝘍𝘰𝘳𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2013 | 𝘊𝘢𝘣𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2021


















