Corrida de Toiros em Montemor | 1 de Setembro de 2024

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Corrida de Toiros em Montemor | 1 de Setembro de 2024

Setembro 1, 2024

A velhinha Praça de Montemor, como é tradição, voltou a encher-se no primeiro domingo de setembro, agora para celebrar os 85 anos do Grupo de Montemor.

O primeiro toiro mostrou-se reservado, com investidas curtas e a adiantar-se ao cavalo. Com base nestas características, pareceu-me indicado para a tradicional pega de cernelha, que é apanágio no nosso Grupo.

Saltei para a pega com o Francisco Godinho, mas as duas primeiras tentativas não correram como desejávamos. Não conseguimos entrar em sintonia e acabei por nunca conseguir acoplar-me ao toiro, que ao saltar com as quatro patas e com rim, acabava sempre por me derrubar.

Na terceira tentativa, a meu ver, tivemos uma entrada perfeita. O toiro fez de tudo para nos tirar e resistimos a grande parte da luta, contudo, no momento em que o toiro já se estava a dar por vencido, o Francisco acabou por perder o leme e, nesse instante, o toiro conseguiu também afastar-me, castigando-me significativamente no chão.

Não sei o que transpareceu para o público, que em algumas situações ao ver muitos forcados na arena, pode sentir que o grupo está perdido. Mas quem já pisou uma arena e sentiu o poder de um toiro sabe do que falo. São momentos que mexem emocionalmente connosco e que fazem o sangue ferver. O que vivi durante aqueles momentos foi inexplicável! Ter um grupo inteiro a tentar proteger-me, dispondo o corpo em prol de um amigo, são os valores que levamos da vida de forcado e que me deixam orgulhoso por ter um Grupo com esta valentia.

Na quarta e última tentativa, decidi fazer uma pega de caras, para encerrar o assunto, já com a ajuda do grupo bastante carregada.

Não foi a pega que idealizei para abrir uma corrida desta importância, mas quando as coisas não são feitas eximiamente, os toiros acabam por pôr tudo no seu lugar.

Mesmo tendo em conta o desfecho, estou de consciência tranquila, porque apesar das dificuldades, a serenidade e a classe estiveram sempre presentes.

📝 𝙀𝙨𝙘𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙥𝙤𝙧 António Cortes Pena Monteiro
𝘍𝘰𝘳𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2013 | 𝘊𝘢𝘣𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2021

O primeiro domingo de setembro é o dia mais importante para o Grupo de Montemor, onde se juntam os atuais e antigos elementos, assim como todos os amigos e aficionados do grupo.

Com essa responsabilidade, acrescida ao facto de o nosso cabo António ter feito uma pega dura, que mexeu com todos os que estavam na praça, fui para a minha pega com ainda mais vontade de pegar à primeira.

Durante o cite, quis ir de forma calma porque senti que o toiro poderia sair sozinho, e apenas queria provocar a sua investida a partir do meio da praça.

Devido alguma agitação, o toiro fixou-se no burladero e de seguida saiu solto. Gostaria de ter aguentando mais um pouco para que o momento de recuar e de marcar a reunião não tivesse sido tão duro.

Os ajudas entraram eficazmente e penso que fizemos uma pega à Grupo de Montemor.
Sinto-me um privilegiado por ter esta grande oportunidade e responsabilidade.
Só tenho a agradecer ao grupo por este grande dia e desejar que venham muitos mais.

Obrigado GFAM!

📝 𝙀𝙨𝙘𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙥𝙤𝙧 José Maria Cortes Pena Monteiro
𝘍𝘰𝘳𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2017

O primeiro domingo de setembro é um dia de muitas emoções. Comemora-se a fundação do nosso Grupo, os mais jovens têm a oportunidade de se fardar pela primeira vez “em casa”, despedem-se Forcados, outros estreiam-se na corrida mais importante do ano e há ainda espaço para os antigos voltarem a pisar a arena.

Este ano, a vertente emocional era para mim muito acrescida. Mais que neste dia em específico, acompanhou-me durante toda a época.

Há quem diga que em dia de despedida, a pega é o que menos interessa. Eu não concordo. Como disse alguém que muito admiro: “Ser Forcado não é querer fazer parte de um Grupo, ser Forcado é querer pegar Toiros.” Sempre me regi por este princípio e este dia não ia ser exceção.

Para isso, preparei-me como sempre, porque os Toiros não sabem se o Forcado que têm pela frente se vai despedir e não merece ser maltratado. Atrás de mim, tive o privilégio de levar sete dos Forcados que mais me marcaram dentro de praça, pela forma como sempre se entregaram, mas também cá fora, pelos valores e princípios que sempre se regeram.

Brindei, em forma de agradecimento, aos meus Pais, à minha Mulher, aos meus Filhos e a todo o nosso Grupo. Depois, ergui o barrete ao céu, ao melhor Forcado que vi, a mais que um Amigo, um ídolo: José Maria Cortes.

Naturalmente, não vou comentar a minha pega tecnicamente. Nunca o fiz sobre nenhuma, nem em público, nem em privado. O que posso e quero dizer, é que desfrutei muito do princípio ao fim. Diverti-me como sempre, ao longo destas 18 épocas. Não há nada que iguale o que sinto ao pegar um Toiro. É indescritível!

No final, fica a mágoa e uma tristeza enorme por ter sido a última corrida enquanto Forcado atual. Nunca me referi a esta pega como a última, porque pela forma como continuo a desfrutar e a sentir-me tão bem a fazê-lo, espero verdadeiramente que possa voltar a ter este privilégio.

Termino com a palavra que mais enderecei ao Grupo de Montemor ao longo da minha vida: OBRIGADO!

📝 𝙀𝙨𝙘𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙥𝙤𝙧 Francisco Borges
𝘍𝘰𝘳𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘦 2007 𝘢 2024

Para o nosso quarto toiro da tarde, saiu à praça um São Torcato com 450Kg.

O toiro mostrou-se bravo em todos os momentos da lide, saindo franco e com prontidão para o cavaleiro Francisco Palha, bem também a passar no capote.

Para a pega, tive a honra de poder voltar a ser chamado ao compromisso, de pegar na nossa praça, 14 anos depois da minha despedida.

Dizer que foi uma tarefa fácil seria estar a ser ingrato com todo o pedaço de história que se estava a escrever naquele momento, os 85 anos do nosso grupo, com a praça esgotada.

Por isto mesmo, o meu brinde foi dedicado a todos os cabos presentes, e aos que já não estão entre nós, pois é especialmente por eles que o Grupo de Montemor é, desde 1939, o exemplo no que toca à arte de pegar toiros.

Em praça senti-me bem, tentando sempre manter o toiro comigo durante o cite. No momento de carregar, o toiro não saiu quando eu queria, e acabei por ter de subir um pouco mais para os seus terreno, mas o que em nada complicou a minha reunião com o toiro, bem como toda a viagem até ao grupo.

Para além de ter voltado a matar este “bichinho” de pegar, foi uma pega muito especial, pois considero-me um sortudo por ter tido como primeiro ajuda o meu filho Pedro, e ser um dos poucos forcados a poder sentir esta “segurança” atrás de mim num momento como este que vai ficar marcado para sempre na nossa memória.

Obrigado António Cortes Pena Monteiro pela oportunidade.

📝 𝙀𝙨𝙘𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙥𝙤𝙧 Pedro Santos
𝘍𝘰𝘳𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘰 𝘎𝘍𝘈 𝘔𝘰𝘯𝘵𝘦𝘮𝘰𝘳 𝘥𝘦 2007 𝘢 2010

Foi um dia cheio de emoções onde o nervosismo, a nostalgia e a adrenalina estiveram sempre presentes.
No entanto, saltar a trincheira para pegar o primeiro touro com o Tó Pena foi o impulso necessário para aquilo que viria a ser uma tarde difícil de explicar.

Nem sempre as coisas correm como planeamos, e infelizmente não conseguimos realizar a pega de cernelha tão característica no nosso grupo, mas essa adversidade deu-me ainda mais vontade de sair da minha zona de conforto e despedir-me a pegar de caras.

A rabejar sempre me senti bem e confiante e foi nessa arte que servi o Grupo. Mas ter a oportunidade de colocar o barrete e pegar de caras o meu último touro trouxe tudo à flor da pele, revivi todos momentos que passei dentro do grupo naqueles minutos enquanto esperava para saltar para a arena. Estava nervoso, mas com a determinação necessária e ciente do que tinha de fazer.

Brindei a quem mais me acompanhou nesta jornada e esteve sempre ao meu lado nos bons e maus momentos, os Meus Pais.
Senti todo o apoio de grupo, com quem partilhei grandes momentos e que vou recordar para o resto da vida, e assim que pus o barrete desfrutei de todos os momentos da pega… é algo que é difícil de descrever por palavras mas quem foi forcado certamente compreenderá.

Foi uma honra servir esta instituição.

Obrigado GFAMontemor!

📝 𝙀𝙨𝙘𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙥𝙤𝙧 Francisco Godinho
𝘍𝘰𝘳𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘦 2006 𝘢 2024

Pegar em Montemor é especial, mas pegar em setembro ainda mais.

Sempre ouvi que pegar na corrida da Feira da Luz é o expoente máximo do ser forcado de Montemor, por assim ser, pegar em setembro nada mais é que um prémio.

Foi uma tarde de emoções fortes, não só por se despedirem 2 forcados que deram quase duas décadas das suas vidas ao nosso grupo, como ter a oportunidade de me fardar ao lado de antigos elementos com quem nunca pensei fardar-me, tal como ver pai e filho pegarem um toiro juntos, ainda para mais com uma lotação esgotada da nossa praça.

Tive a responsabilidade de fechar praça, brindei em forma de agradecimento ao Francisco Borges, que foi quem me apresentou o Grupo de Montemor, a minha segunda família.

Senti-me muito bem na pega, consegui entender bem o toiro, citei como queria, o toiro arrancou quando eu quis, aguentei, recuei o necessário e consegui reunir bem, tudo isto pontos chave, que nos ensinam desde cedo no grupo de Montemor para uma pega correr bem.

Após ter feito “a minha parte” o grupo esteve exímio, fecharam como uma lapa, de destacar uma grande segunda ajuda do Miguel Cecílio.

Seguiu-se o nosso tradicional jantar entre antigos, atuais e futuros forcados, juntamente com família e amigos.
É por sonhar e viver dias como estes que sou forcado do grupo de Montemor.

Obrigado por mais um dia de GFAM!

📝 𝙀𝙨𝙘𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙥𝙤𝙧 Vasco Ponce
𝘍𝘰𝘳𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2016

António Cortes Pena Monteiro | 4ª Tentativa 

 

José Maria Cortes | 1ª Tentativa 

 

Francisco Borges | 1ª Tentativa 

Pedro Santos | 1ª Tentativa 

Francisco Godinho | 1ª Tentativa 

Vasco Ponce | 1ª Tentativa 

Detalhes

  • Data: Setembro 1, 2024