
A tradicional corrida de toiros integrada na Feira PIMEL voltou a encher a centenária praça de toiros João Branco Núncio. Com lotação quase esgotada e um ambiente caloroso.
Pela frente, tínhamos um curro da Ganadaria Varela Crujo. O primeiro toiro da tarde, a meu ver, era bravo, entregou-se ao capote metendo o focinho no chão e revelando nobreza nas investidas.
Para abrir praça, José Maria Marques, conhecido entre os seus por “Zé Pequeno”, forcado com nove épocas de dedicação ao Grupo. Brindou a Vasco Durão – amigo próximo do Grupo e antigo empresário desta e de outras praças, que durante anos fez questão de contar com o Grupo de Montemor nas suas corridas, reconhecendo não só a amizade mas também a qualidade, o valor e a classe com que o Grupo se apresenta sempre em praça.
No que diz respeito à pega, “Zé Pequeno” precisou de duas tentativas. É um forcado com classe e que sabe estar à frente dos toiros, mas desta vez não conseguiu mandar na investida e o oponente acabou por sair solto, este detalhe dificultou a pega uma vez que acabou por reunir com o piton no meio das pernas, o que fez com que viesse de lado durante a viagem e acabasse por sair no primeiro derrote. Na segunda tentativa, corrigiu a reunião — apesar de estar longe da perfeição — mas foi o suficiente para se conseguir acoplar ao toiro até à entrada dos ajudas, que fecharam a pega.
O segundo toiro da tarde, tal como o primeiro, foi bravo e cumpridor na lide, mas revelou-se sério e exigente na pega. A minha escolha para este toiro recaiu sobre o Bernardo Batista – o “Nana” ou “Acendalha” – que no ano passado partiu a perna numa pega vistosa na Nazaré.
Este ano, voltou em força, com uma pega cheia de alma em Alter, e tem vindo a lutar por conquistar o seu lugar dentro do Grupo. É ainda um forcado “verdinho”, com algumas arestas por limar, mas tem mostrado vontade de ser forcado e, sobretudo, de aprender a pegar à moda do Grupo de Montemor.
Nas duas tentativas pecou no momento da reunião, mas compensou com garra e alma.
Na primeira tentativa caiu nas mãos do primeiro ajuda, o António Cecílio. Já na segunda, teve de ir buscar o toiro aos terrenos dele, que saiu a derrotar e a fugir ao Grupo. Aguentou três ou quatro derrotes, que testaram os seus “pequenos braços de ferro”, até à chegada de todos os ajudas.
Foi uma pega vistosa, que mexeu com o público e lhe valeu duas voltas à praça. No entanto, em termos técnicos, ficou aquém da exigência do Grupo.
Nana, já tivemos oportunidade de conversar sobre isto: a diferença entre ser forcado e ser um Bom Forcado está nos pormenores e é isso que nos distingue. Parabéns pela pega e pela determinação de ficar na cara do toiro, continua com essa atitude mas daqui para a frente a exigência é outra.
O último toiro da tarde, a meu ver, foi mal aproveitado durante a lide e não deu para perceber a verdadeira essência da sua bravura.
Para fechar a nossa atuação, pegou no barrete o Forcado da terra, Vasco Carolino, que brindou ao seu pai e ao tio José Cecílio (pai de três forcados do Grupo), em representação das famílias Carolino e Cecílio, que há vários anos abrem sempre as portas das suas casas para receber o GFAMontemor como se fossem eles mesmos membros da nossa instituição.
Na primeira, o Vasco reuniu com um piton no meio das pernas, mas conseguiu acoplar-se ao toiro, faltando-lhe somente aguentar um derrote na diagonal para dar tempo aos ajudas de entrarem. Na segunda tentativa, teve de ir buscar o toiro aos terrenos dele, corrigiu a reunião e aguentou um derrote de cima para baixo e depois entrou o primeiro ajuda, António Cecílio (que já tinha dado duas primeiras ajudas muito eficazes na sua despedida como Forcado na Praça da sua terra), para fechar a pega com os restantes ajudas.
Vasco e o António deram juntos a volta à arena naquela que provavelmente foi a última pega da dupla alcacerense numa Praça muito querida para ambos.
📝 𝙀𝙨𝙘𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙥𝙤𝙧 António Cortes Pena Monteiro
𝘍𝘰𝘳𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2013 | 𝘊𝘢𝘣𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2021

























