Lutar sempre, vencer às vezes, desistir nunca!
Mais um pequeno passo dado na longevidade de 80 anos de História. Neste dia, atuando no mais prestigiado Concurso de Ganadarias de Portugal, o mais antigo e mais sério e onde vimos atuar as mais célebres personagens da festa dos toiros.
Um cartel de luxo, composto pelos cavaleiros António Ribeiro Telles, Rui Salvador e Luís Rouxinol, uma praça cheia para ver a concurso as ganadarias eleitas a dar cara nesta corrida: Veiga Teixeira; Fernandes de Castro; Murteira Grave; Passanha; Pinto Barreiros e Branco Núncio, lidados em praça pela respetiva ordem.
O primeiro da corrida, um Veiga Teixeira com 595kg, um toiro bem apresentado e muito sério, foi nobre e bravo mas menos pronto. Para cara deste toiro o nosso Cabo escolheu o Bernardo Dentinho, numa oportunidade que já vinha a ser merecida. O Bernardo vinha de uma boa pega no México, talvez por este intervalo tempo sem pegar e claro por estar a abrir o tão prestigiado concurso, que pesa, o Bernardo demonstrou algum nervosismo e não aguentou o toiro quando este saiu pronto e franco, perdendo o Forcado na viagem. Na segunda, o toiro estava diferente, incomodado em tábuas, pedia que o Forcado se metesse com ele tentando evitar que entrasse muito nos seus terrenos, o Bernardo não se conseguiu sacar o suficiente e acabou por sofrer dois derrotes violentíssimos que o deixaram inanimado.
Xico Borges, uma vez mais, agigantou-se a dobrar o Bernardo e concretizou uma grande pega à primeira tentativa.
O Bernardo já se encontra em casa e sem grandes mazelas.
Para o segundo da tarde, Murteira Grave de 550kg com caracóis à volta da cabeça, saiu pronto e alegre, um toiro disponível, mas pouco franco. Para a cara o Forcado da terra, do berço do Grupo, o elemento mais antigo e um grande pilar: Manuel Ramalho! Pegava pela última vez nesta corrida onde recordará grandes êxitos, grandes pegas. Esta pega ficou gravada pela sua personalidade e pelas suas características, mostrou uma vez mais o quanto o Manuel já deu ao grupo, foi mesmo uma pega à Manuel, uma demonstração de garra e de querer inexplicáveis. Já quase completamente fora, o Manuel com todo o poder dele aguentou e nunca desistiu, contou com uma grande, embora curta, primeira do Nuno Campelo e contou também com um dia menos feliz do resto do grupo, excepto o Sacaio que foi fundamental para a consumação da pega. Quando já ninguém acreditava no Forcado da cara e havia até costas voltadas. Uma grande lição a levar para casa!
Para último saiu o Pinto Barreiros com 530kg, amarelo, bonito, com chapéu de aba larga, foi um toiro bravo e pronto que saía de largo. Para a cara o António escolheu o Vasco Carolino, Forcado que tem caminhado a passos largos dentro do Grupo, com grandes regularidades e que tem vindo a mostrar segurança e confiança. O Vasco teve calmo no cite, o toiro não estava com ele e quando o viu, saiu solto e de largo, o Vasco aguentou bem toiro e recuou o suficiente, teve uma reunião rija e agarrou-se com unhas e dentes. Foi uma oportunidade muito merecida e bem agarrada como era espectável. Parabéns Vasco!
A dar primeiras ao Vasco teve o nosso campeão, consagrado na modalidade do Rugby no dia anterior: António Cortes Pena Monteiro. A última primeira ajuda desta corrida foi o reflexo do que é ser Forcado no Grupo de Montemor: disponibilidade, suor, sacrifício e querer. Parabéns Tó Pena!!
Não foi uma corrida feliz nem conseguida para o Grupo, mas foi mais uma estaca posta, um passo dado e uma lição para aprender.
O Grupo de Forcados Amadores de Évora teve uma boa tarde de pegas: Fernandes de Castro à 1ª por Miguel Direito; Passanha à 2ª por José Maria Caeiro; Núncio à 1ª por Ricardo Sousa.
Gostaria de agradecer, em nome do Grupo de Montemor, a pega que nos foi brindada pela celebração dos 80 anos.
Pelo Grupo de Montemor, venha vinho!








Fotografias: Florindo Piteira, Miguel Calçada de Sousa e Tiago Caeiro
Veja o vídeo das pegas, seguindo o link: